Somos feitos
do que fazemos
do que queremos
do que dizemos
Das flores que mandamos
das pessoas que amamos
e dos amores que não temos
Somos feitos do que fomos
e de onde viemos
das ruas em que brincamos
das músicas que compusemos
Somos feitos do que perdemos
e do que vez em quando achamos
Somos feitos do que rabiscamos
dos cadernos que escrevemos
das bobagens que falamos
das brigas que tivemos
Somos feitos dos enganos
dos prematuros planos
Somos feitos do que vimos
das estrelas que contamos
das noites que choramos
Dos dias que recomeçamos
dos sóis que esperamos
Somos feitos do que pensamos
e até do que não fomos
Somos feitos do que somos
e do que estamos sendo.
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
domingo, 20 de novembro de 2011
Perto de tudo
E eu continuo a pairar
por essa cidade
buscando um pousar
pra repousar minha ansiedade
Que meu coração cansado
já se apercebe do estrago
que faz a tal verdade
Mas quero vista pra um mar
de felicidade
com brisa a encher
minha sala e minha'lma
E quero janela pra o nascente
do novo sol em minha vida
inundando de luz o quarto
e todo espaço
que já não quer silêncio e sombra
Quero uma varanda ampla
de onde eu possa enxergar longe
E que tenha portas largas
da largura do horizonte
Sim, eu continuo a esperar
aquilo que chamam lar
a enlarguecer minha vontade
Intensa e singular
de poder, sim, estar
enfim, perto de tudo.
por essa cidade
buscando um pousar
pra repousar minha ansiedade
Que meu coração cansado
já se apercebe do estrago
que faz a tal verdade
Mas quero vista pra um mar
de felicidade
com brisa a encher
minha sala e minha'lma
E quero janela pra o nascente
do novo sol em minha vida
inundando de luz o quarto
e todo espaço
que já não quer silêncio e sombra
Quero uma varanda ampla
de onde eu possa enxergar longe
E que tenha portas largas
da largura do horizonte
Sim, eu continuo a esperar
aquilo que chamam lar
a enlarguecer minha vontade
Intensa e singular
de poder, sim, estar
enfim, perto de tudo.
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Ródano
Deve haver um lugar
um pedaço de céu
pra cada estrela
Ardentes supernovas
tão frias ao longe
no silêncio da noite
E deve haver um lugar
pra cada coração
errar o compasso
Eventualmente, e sorrir
e chorar
num canto, só
E pode ser que por dó
ou por medo
ou sem razão
Haja sempre uma canção
pra entorpecer a solidão
Sim, há de haver uma razão
que só se enxerga são
e aqui são todos sóis
Mas deve haver um lugar
debaixo do céu
pra cada um de nós.
...
Noite Estrelada Sobre o Ródano
um pedaço de céu
pra cada estrela
Ardentes supernovas
tão frias ao longe
no silêncio da noite
E deve haver um lugar
pra cada coração
errar o compasso
Eventualmente, e sorrir
e chorar
num canto, só
E pode ser que por dó
ou por medo
ou sem razão
Haja sempre uma canção
pra entorpecer a solidão
Sim, há de haver uma razão
que só se enxerga são
e aqui são todos sóis
Mas deve haver um lugar
debaixo do céu
pra cada um de nós.
...
Noite Estrelada Sobre o Ródano
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Firmamento
Nuvens correm pelo céu
da noite parca de estrelas
e quem poderá detê-las
quem poderá?
Às vezes feitas do véu
às vezes muitas centelhas
quem lhes fará ovelhas
quem lhes fará?
As sobras de um novo réu
cativo das formas gregas
quem lhe trará cerejas
quem lhe trará?
Habitat do fogaréu
no escarcéu da peleja
quem obstará que seja
quem obstará?
Na hora final do fel
o mel a boca almeja
quem não virá pureza
quem não virá?
da noite parca de estrelas
e quem poderá detê-las
quem poderá?
Às vezes feitas do véu
às vezes muitas centelhas
quem lhes fará ovelhas
quem lhes fará?
As sobras de um novo réu
cativo das formas gregas
quem lhe trará cerejas
quem lhe trará?
Habitat do fogaréu
no escarcéu da peleja
quem obstará que seja
quem obstará?
Na hora final do fel
o mel a boca almeja
quem não virá pureza
quem não virá?
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Allegro
O rei queria uma canção
pra acalmar a multidão
Mas como podem doces notas
vir de um amargo coração?
Então não toco mais pra reis
não componho mais por leis
hoje canto só pra mim
Vou regando o meu jardim
arracando a morta flor
vendo o sol nascer sem dor
quando a hora é mais fria
Vou enganando minha agonia
alimentando meu pudor
que nesse império do rumor
impera agora minh'alforria
Na côrte já não sou veemente
do mundo ando um tanto ausente
importa-me o chegado o dia
de compôr minha nona sinfonia.
pra acalmar a multidão
Mas como podem doces notas
vir de um amargo coração?
Então não toco mais pra reis
não componho mais por leis
hoje canto só pra mim
Vou regando o meu jardim
arracando a morta flor
vendo o sol nascer sem dor
quando a hora é mais fria
Vou enganando minha agonia
alimentando meu pudor
que nesse império do rumor
impera agora minh'alforria
Na côrte já não sou veemente
do mundo ando um tanto ausente
importa-me o chegado o dia
de compôr minha nona sinfonia.
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Outono
A primeira folha ninguém notou
caída e só no eterno outono
E o fosco sol que cedo chegou
anunciou que a dor sem dono
se entrega a qualquer um
desfaz o velho riso
faz o mirar impreciso
e o semblante cinza
já cansado, se perder
A primeira estrela não demorou
anunciou a noite clara de estio
Uma sinfonia de silêncio a dançar no céu
tenta a agonia dissipar por dó
desatar da garganta o nó
e devolver à lua o suspirar
A primeira nota foi sem par
do velho violoncelo a arranhar a alma
refazendo do caos a calma
saberá brotar, mesmo em penar, a vida
e a mágoa então arrefecida
revelar-se-á convertida
num pulsar novo e trêmulo
de um coração outrora cansado
que, por fim, renascerá.
caída e só no eterno outono
E o fosco sol que cedo chegou
anunciou que a dor sem dono
se entrega a qualquer um
desfaz o velho riso
faz o mirar impreciso
e o semblante cinza
já cansado, se perder
A primeira estrela não demorou
anunciou a noite clara de estio
Uma sinfonia de silêncio a dançar no céu
tenta a agonia dissipar por dó
desatar da garganta o nó
e devolver à lua o suspirar
A primeira nota foi sem par
do velho violoncelo a arranhar a alma
refazendo do caos a calma
saberá brotar, mesmo em penar, a vida
e a mágoa então arrefecida
revelar-se-á convertida
num pulsar novo e trêmulo
de um coração outrora cansado
que, por fim, renascerá.
terça-feira, 22 de março de 2011
Perigeu
No escuro céu de breu
se perdeu do rumo a lua,
ou foi o céu que encolheu?
E no intenso mar, imenso
na imensidão de seu silêncio
o vento sopra, só pra brincar
Na areia clara, o clarear
da lua cheia, presenteia
quem devaneia ao seu bailar
E até a brisa breve traz poesia
se não for de alegria, o que anoiteceria?
uma pintura pra recordar
A noite bela do perigeu
ou foi a lua que cresceu
ou foi só a vida a brincar.
se perdeu do rumo a lua,
ou foi o céu que encolheu?
E no intenso mar, imenso
na imensidão de seu silêncio
o vento sopra, só pra brincar
Na areia clara, o clarear
da lua cheia, presenteia
quem devaneia ao seu bailar
E até a brisa breve traz poesia
se não for de alegria, o que anoiteceria?
uma pintura pra recordar
A noite bela do perigeu
ou foi a lua que cresceu
ou foi só a vida a brincar.
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