E eu continuo a pairar
por essa cidade
buscando um pousar
pra repousar minha ansiedade
Que meu coração cansado
já se apercebe do estrago
que faz a tal verdade
Mas quero vista pra um mar
de felicidade
com brisa a encher
minha sala e minha'lma
E quero janela pra o nascente
do novo sol em minha vida
inundando de luz o quarto
e todo espaço
que já não quer silêncio e sombra
Quero uma varanda ampla
de onde eu possa enxergar longe
E que tenha portas largas
da largura do horizonte
Sim, eu continuo a esperar
aquilo que chamam lar
a enlarguecer minha vontade
Intensa e singular
de poder, sim, estar
enfim, perto de tudo.
domingo, 20 de novembro de 2011
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Ródano
Deve haver um lugar
um pedaço de céu
pra cada estrela
Ardentes supernovas
tão frias ao longe
no silêncio da noite
E deve haver um lugar
pra cada coração
errar o compasso
Eventualmente, e sorrir
e chorar
num canto, só
E pode ser que por dó
ou por medo
ou sem razão
Haja sempre uma canção
pra entorpecer a solidão
Sim, há de haver uma razão
que só se enxerga são
e aqui são todos sóis
Mas deve haver um lugar
debaixo do céu
pra cada um de nós.
...
Noite Estrelada Sobre o Ródano
um pedaço de céu
pra cada estrela
Ardentes supernovas
tão frias ao longe
no silêncio da noite
E deve haver um lugar
pra cada coração
errar o compasso
Eventualmente, e sorrir
e chorar
num canto, só
E pode ser que por dó
ou por medo
ou sem razão
Haja sempre uma canção
pra entorpecer a solidão
Sim, há de haver uma razão
que só se enxerga são
e aqui são todos sóis
Mas deve haver um lugar
debaixo do céu
pra cada um de nós.
...
Noite Estrelada Sobre o Ródano
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Outono
A primeira folha ninguém notou
caída e só no eterno outono
E o fosco sol que cedo chegou
anunciou que a dor sem dono
se entrega a qualquer um
desfaz o velho riso
faz o mirar impreciso
e o semblante cinza
já cansado, se perder
A primeira estrela não demorou
anunciou a noite clara de estio
Uma sinfonia de silêncio a dançar no céu
tenta a agonia dissipar por dó
desatar da garganta o nó
e devolver à lua o suspirar
A primeira nota foi sem par
do velho violoncelo a arranhar a alma
refazendo do caos a calma
saberá brotar, mesmo em penar, a vida
e a mágoa então arrefecida
revelar-se-á convertida
num pulsar novo e trêmulo
de um coração outrora cansado
que, por fim, renascerá.
caída e só no eterno outono
E o fosco sol que cedo chegou
anunciou que a dor sem dono
se entrega a qualquer um
desfaz o velho riso
faz o mirar impreciso
e o semblante cinza
já cansado, se perder
A primeira estrela não demorou
anunciou a noite clara de estio
Uma sinfonia de silêncio a dançar no céu
tenta a agonia dissipar por dó
desatar da garganta o nó
e devolver à lua o suspirar
A primeira nota foi sem par
do velho violoncelo a arranhar a alma
refazendo do caos a calma
saberá brotar, mesmo em penar, a vida
e a mágoa então arrefecida
revelar-se-á convertida
num pulsar novo e trêmulo
de um coração outrora cansado
que, por fim, renascerá.
terça-feira, 22 de março de 2011
Perigeu
No escuro céu de breu
se perdeu do rumo a lua,
ou foi o céu que encolheu?
E no intenso mar, imenso
na imensidão de seu silêncio
o vento sopra, só pra brincar
Na areia clara, o clarear
da lua cheia, presenteia
quem devaneia ao seu bailar
E até a brisa breve traz poesia
se não for de alegria, o que anoiteceria?
uma pintura pra recordar
A noite bela do perigeu
ou foi a lua que cresceu
ou foi só a vida a brincar.
se perdeu do rumo a lua,
ou foi o céu que encolheu?
E no intenso mar, imenso
na imensidão de seu silêncio
o vento sopra, só pra brincar
Na areia clara, o clarear
da lua cheia, presenteia
quem devaneia ao seu bailar
E até a brisa breve traz poesia
se não for de alegria, o que anoiteceria?
uma pintura pra recordar
A noite bela do perigeu
ou foi a lua que cresceu
ou foi só a vida a brincar.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Sobre o pôr-do-sol e as flores do caminho
O azul do espelho céu
mar dos olhos teus
vento gira e brinca só
e sopra um leve adeus
Ao sol que vai se pôr
tarde finda, a vida não
vão-se os vãos versos de flor
renasce amor em novos grãos
Pela estrada a recompôr
cultivar outra estação
brota nova a esperança
perene criança
torna o sol a nascer
Que o dia não tarda, o viver
refaz-se por querer
demais é nunca a espera
vem de novo a primavera
que o amor não vai morrer.
mar dos olhos teus
vento gira e brinca só
e sopra um leve adeus
Ao sol que vai se pôr
tarde finda, a vida não
vão-se os vãos versos de flor
renasce amor em novos grãos
Pela estrada a recompôr
cultivar outra estação
brota nova a esperança
perene criança
torna o sol a nascer
Que o dia não tarda, o viver
refaz-se por querer
demais é nunca a espera
vem de novo a primavera
que o amor não vai morrer.
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